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Nelson Leirner nasceu em 1932, na cidade de São Paulo. Entre 1947 e 1952 estudou engenharia têxtil no Lowell Technological Institute, em Massachusetts, Estados Unidos. Em 1956, teve aulas de pintura com Juan Ponç, abandonando-as para buscar outras formas estimulantes para seu trabalho além da pintura sobre tela. Em 1958, frequentou por dois meses o Ateliê Abstração, de Samson Flexor. Participou, desde então, de vários salões de arte, e realizou, em 1961, sua primeira exposição individual. Foi selecionado para a VII, VIII e IX edições da Bienal de São Paulo (1963, 1965 e 1967). Em uma exposição na Galeria Atrium (1965), apresentou objetos que anunciavam a noção de apropriação que iria marcar sua carreira e seu trabalho. Em 1966, com outros cinco artistas, formou o grupo Rex, um coletivo que questionava, por meio de exposições, ações e debates, o excesso da institucionalização da arte. Em 1967, participou da exposição "Nova Objetividade Brasileira" (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro), e foi premiado na IX Bienal de Tóquio com as obras Homenagem a Fontana I e Homenagem a Fontana II. No mesmo ano, realizou a "Exposição-não-exposição", um happening de encerramento das atividades do Grupo Rex, e foi selecionado para o IV Salão de Arte Moderna de Brasília com os trabalhos O porco e Tronco com cadeira, combustível para o que passaria a ser conhecido como o "Happening da crítica". Convidado, em 1969, para se juntar à Bienal de São Paulo, aderiu ao boicote internacional à instituição e se recusou a participar. Produziu, no mesmo ano, a exposição "Playground", no Museu de Arte de São Paulo - Masp, com peças feitas para serem manipuladas pelo público. Em 1971, recusou novamente o convite para se juntar à Bienal de São Paulo, em uma sala especial, devido à censura contra a representação brasileira na Bienal de Paris. Em 1974, a exposição "Revolta do Animal" foi considerada a "melhor proposta" pela Associação Paulista de Críticos de Arte - APCA. Convidado para lecionar na Faculdade Armando Álvares Penteado - Faap (São Paulo), iniciou, em 1975, sua carreira de professor. Produziu, no mesmo ano, quatro filmes super-8 e a exposição "Esporte é cultura", na Galeria Arte Global. Recebeu o prêmio de melhor desenhista da APCA, que solicitou dele uma obra reproduzível como prêmio para a menção honrosa de 1975. O trabalho apresentado, em fotocópia, foi recusado pela instituição. Em 1978, montou a exposição "Uma linha dura. não dura.", na Galeria LuisaStrina. Em 1980, a exposição "Pague para Ver" foi cancelada pela Galeria Múltipla de Arte devido ao texto produzido para o convite da exposição, no qual o artista expunha, com ironia, os vários interesses que controlam o mercado de arte. Participou, em 1984, da exposição "Tradição e ruptura", promovida pela Fundação Bienal de São Paulo. Em 1987, fez parte da mostra coletiva "Modernidade: arte brasileira do século XX", no Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris. Montou, em 1989, na Galeria LuisaStrina, a instalação Projeto aula, em que procurava dissolver a ideia de autoria de uma obra de arte. Em 1994, participou da Bienal Brasil do Século XX e fez uma retrospectiva de seu trabalho no Paço das Artes, em São Paulo, ocasião em que foi lançado um livro sobre seu trabalho, revisto por Agnaldo Farias. Em 1996, deixou o cargo de professor na Faculdade Armando Álvares Penteado. Mudou-se para o Rio de Janeiro no ano seguinte, onde passou a coordenar o curso básico da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Produziu, em 1997, a exposição "Uma viagem.", no Centro Cultural Light, no Rio de Janeiro. Participou frequentemente de exposições no Brasil e no exterior, em eventos coletivos e individuais. Os trabalhos apresentados no XVI Salão Nacional, realizado em 1998 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, foram apreendidos pelo juiz da Vara da Infância e Adolescência sob a alegação de obscenidade, um fato que desencadeou uma campanha nacional contra a censura nas artes visuais. No mesmo ano, as obras censuradas foram apresentadas na Galeria Brito Cimino, em uma exposição proibida para menores de 18 anos de idade. Ainda em 1998, Leirner ganhou o 2º Prêmio Johnnie Walker de Belas-Artes. Em 1999, representou o Brasil na 48ª Bienal de Veneza. Em 2002, foi lançado o livro Arte e arte não, reunindo ensaios do crítico Tadeu Chiarelli sobre sua carreira artística. Leirner participou, em uma sala especial, da 25ª Bienal de São Paulo e foi o tema da exposição antológica "Adoração", com curadoria de Moacir dos Anjos, no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, em Recife, e no Espaço Cultural Contemporâneo Venâncio, em Brasília. Tadeu Chiarelli organizou a exposição "Nelson, antes de N. Leirner", no Centro Universitário Maria Antônia, em São Paulo, com uma montagem de obras criadas até 1967. Também em 2002, foi homenageado como "Professor referência" pela Fundação Armando Álvares Penteado. Em 2006, participou da 27ª Bienal de São Paulo, novamente com uma sala especial. Em 2007, a Associação Brasileira dos Críticos de Arte - ABCA conferiu-lhe o prêmio "Trajetória de um artista" e, em 2009, foi homenageado como "Artista Referência" pelo Instituto Itaú Cultural com uma exposição e com o documentário intitulado Assim é, se lhe parece, dirigido por Carla Gallo e apresentado em circuito aberto. Participou da exposição "Dreamlands", no Centro Georges Pompidou, Paris, em 2010, e da 29ª Bienal de São Paulo. Em 2011, foi homenageado pelos seus 80 anos com a retrospectiva "Nelson Leirner 2011-1961 = 50 anos", na Fiesp/Sesi-SP, e "Who'swho", na Arte Contemporânea Agora, Miami, Estados Unidos. No mesmo ano, foi homenageado pelo Instituto Tomie Ohtake com uma sala especial na exposição "Beuys e bem além - ensinar como arte". Recebeu o prêmio "Governador do Estado de São Paulo" em artes plásticas.

Fonte: Livro Nelson Leirner - a arte do avesso
Agnaldo Farias, Lilia Moritz Schwarcz, Piero Leirner
Andrea Jakobsson Estúdio

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